Espero,
envergonhado, que o socorro nos venha rápido daí de cima. Detentor de uma outra
possível forma de nos conduzir diante deste sol que nos banha com o seu maná. Por
mais que tentamos melhorar a nossa luz, nos esforçando com atos esporádicos de
bondade, sei que quando chegar até vocês, curiosos das galáxias, haverá
perplexidades diante da maneira que tratamos a nossa casa. Fico imaginando, ET,
a cara de espanto que fará com o seu afim quando perceberem que matamos uns aos
outros aqui na bola azul. Mas o meu consolo é saber que os senhores não podem,
acredito eu, nos ouvir, pois imaginem só se pudessem escutar as nossas
justificativas para a destruição daquilo que nos é semelhante, nós mesmos? Se
pudessem ouvir o que falamos e tramamos em bases secretas de governos
“civilizados”? Tenho até náuseas só em pensar que os senhores, permita-me,
deuses dos céus, pensariam quando soubessem que matamos criaturas que
compartilham o que chamamos de ar só pelo prazer de matar. Será que os senhores
saberiam o significado, aí de cima, de esporte? Pois bem, esse é o nome que
damos quando saímos para caçar e matar seres que estão delimitados num ambiente
selvático pois, ressaltando, nós, humanos, somos civilizados.
Tenha
bondade, não são brinquedos, são nossas coisas. Nossos artefatos. Começou há
muito tempo, quando dominamos o fogo e fizemos uma cerca para chamar aquela
terra comunal de “minha”. Foi daí que tudo começou, acredito eu. Essas coisas
que daí os senhores veem bestializarmos, são nossos itens inseparáveis. Claro
que não nascemos com elas agarradas em nós, e elas também nem sempre existiram,
mas a partir do momento que alguém as criou, nós, seres humanos e pensantes,
não conseguimos mais viver sem elas. Nos acompanha praticamente 24 horas até o
fim de nossas vidas. Digo até o fim pois assim como o lixo que acompanha um rio
no seu percurso não tem acesso ao oceano, o mesmo sucede com as coisas que nos
acompanha quando morremos. Embora saibamos disso, nos agarramos a esses objetos
efêmeros de corpo e alma, mais alma do que corpo. É neles que inserimos os
nossos sentimentos. Eles ganham humanidade e nós perdemos a pouca que nos
restam. Vou lhe contar um segredo: vou falar baixinho. Nesses objetos, pelos quais matamos, morremos e
direcionamos toda a nossa existência, colocamos nossos sentimentos, dentre eles
o principal, o amor. Deixe lhe explicar: Um pai, muito ocupado em interagir com
o seu filho ao longo do ano, pois está empenhando em adquirir papeis de tinta
para comprar “coisas”, coloca este sentimento nobre, o amor, num objeto e
presenteia ao seu pequeno filho envolto num papel colorido, antes que me
pergunte, o papel é só para dar uma sensação de suspense.
Pois bem,
meu nobre, espero que o senhor possa ler está minha súplica e venha, de
qualquer uma dessas estrelas que enfeitam os céus, vir nos salvar de nós mesmo.
Mas um pequeno alerta, venha armado e carregado, pois somos perigosos e hostis,
gostamos de guerra.
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